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Pesadelo Feliz

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Hoje acordei de um pesadelo feliz. Desses que, quando voltamos a consciência ordinária, percebemos que nada do que foi visto pode acontecer, já passou, não tem espaço essa tragédia. E  o que resta é analisar os símbolos e honrar a historia toda vivida até esse ponto, que fez com que o pesadelo não passasse de uma ode a redenção de aspectos sombrios dessa vida. Então tudo ficou simbólico, tênue, sagrado. Cada arquétipo, cada cena daquele "sonho ruim" se transformou em respeito e honra a um caminho que se fez. Fala ontem sobre Jung, individuação... dormi ouvindo sobre o tema e começo a perceber claramente que, aquele pedido ao "deus" de sabedoria e lucidez que eu fiz do alto dos meus 8, 9 anos se desenrolou até chegar aqui. Olhei todos os caminhos que passei, os mágicos e os comuns, e no final das contas era aqui onde eu deveria ter chegado e exatamente nessa hora. Fui pontual. Vencendo marcos e medos, cá estou eu. O que me espera eu não sei. Sei que não há louros de ...

Toc... Toc...

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Quem é você que apareceu aqui, sem mais nem menos, nessa hora da noite falando de lugares que não existem, tempos que fazem parte de uma imaginação fértil qualquer e de, sonhos?!  Que sonhos são esses que ultrapassam a barreia lunar e habitam o cotidiano fazendo toda a ordem se desfazer, cenários se erguerem e sensações indescritíveis aparecerem? Quem você pensa que é para romper o véu do comum e transformar o normal em obsoleto de desnecessário, que faz com que a vida ganhe cores mais quentes e o pensamento se confunda com devaneios? Loucura? Você ousa chamar de loucura o lugar comum que antes habitava e acha que esse modelo distópico é que realmente faz sentido? Não... não é possível que a essa hora sombria do dia, quando tudo está perdidamente contextualizado, previsto e sacramentado, você vem e consegue derrubar todos os planos de uma forma... perfeita! Não me restam argumentos. Você me rendeu e eu compro a sua promessa.

A reinvenção da vida

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 A vida é uma coisa louca. Ela vem e vai não somente no folego, mas nas mudanças internas, libertações, reconhecimentos, mudanças de rotas e revelações que cada suspiro nos permite testemunhar. A vida é ouro para quem quer trata-la como preciosidade. É o pedaço alquímico valioso que temos em mãos pronto para ser transformado ao nosso comando e vontade. é puro movimento. E quando tudo parece estar esgotado e terminal, lá vem ela novamente reinventada e pronta para causar novos impactos.

O pós do apocalipse

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É como se fosse um dia depois, nos escombros. A gente procurando reconstruir aquilo que ainda está de pé e lamentando as ruidas daqueles pilares que não irão mais se erguer. É um misto de morte com um incessante folego de vida, de querer, de ter por conta de...sabe lá oque, emergir da poeira e rastros desse pequeno apocalipse doméstico. Ainda há muito o que vasculhar, recuperar e se despedir. É um dia de trabalho intenso nesses escombros que se apresentam no cenário. E o mais sensato, ainda que automático, pois está desprovido de emoções reais, é levantar e recomeçar no novo mundo. Seja ele como for.

Solidão

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  Heis que faz eco meu coração. A medida que minha idade avança e já não sou mais aquela de 2003, que contava com a sorte, sonhava com o resgate ideal, o destino perfeito, a vida rotineira. Percebo hoje que de tudo que fui e que sou, resta um sopro de autenticidade e solidão. No final da estrada, quer haja bifurcações ou não para chegar no destino, quem vai sou eu. As bagagens que eu, ingenuamente, carregava hora como um troféu, hora como norte, já ficaram para trás a muito tempo e hoje me restam nas mãos as poeiras do caminho, na pele as marcas da jornada e na mente uma juventude renovada de quem vive uma eternidade, ainda que as pedras e obstáculos do percurso atual, façam tudo parecer tão único, urgente e final. Hoje me encontro no derradeiro desfecho desse percurso onde o destino nada mais é do que uma representação da viagem em busca do Graal. Há um corpo cansado, uma mente anuviada pela quantidade de impressões e percepções nas paisagens vistas em contraposição a uma alma que...

Ontem

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 O Ontem já não me cabe mais. Não complemento a paisagem, não caibo no espaço e não sei me comportar no dia anterior a este. Mal consigo olhar para os minutos que passaram da mesma forma como os encarei no momento em que existiam. Sou uma nova pessoa. Sempre e todo dia. O passado é uma roupa que não me serve mais. O que eu posso fazer é olhar para ele, mas viver não há como.  Ainda que eu quisesse profundamente, mesmo assim não conseguiria por não ser aquela lá... que viveu aquilo ali. Agora vai de mim, a lucidez e clareza para entender essa premissa e olhar o passado com olhos de quem visita, ao invés de olhar o passado com olhos de quem vê nele a chance de repetir tudo igual. A segunda opção é tolice. Agora sou uma nova pessoa. Bem mais nova do que quando comecei a digitar essas palavras. Aceito o novo ser que constantemente me habita. Para encontrar o meu infinito pessoal.

Caixas

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Hj eu senti dor. Fazia tempo que não esvaziava to meu ser de possibilidades para dar espaço aos maus tempos e angustias que marcaram meu ser e estar por muito tempo. No inicio parecia chateação por imaginar que a veterinária das minhas gatas não quer atende-las por quê nunca gostou de mim e aproveito o fato de eu mudar de cidade para cortar os laços... Depois, uma reunião cheia de pequenos problemas que se anuncia, uma colega cansada de um projeto maçante, a necessidade urgente de comer coisas que entorpecem e a percepção desse caos armado me fizeram estar aqui, calada, inteiramente apática e voltando a alguns começos que eu jurava que haviam finalizado. Tem caixas que não devemos abrir. Tem caixas que não escolhemos abrir e tem caixas que se abrem sozinhas, ao menor contato com nossa essência.